A partir de 26 de setembro de 2026, uma das últimas áreas preservadas de Mata Atlântica no coração de São Paulo deixa de ser apenas um parque para tornar-se parte de uma obra de arte. É entre as árvores centenárias do Parque Tenente Siqueira Campos — o Parque Trianon — que a artista visual Betina Samaia apresenta Outro Lado, exposição inédita concebida especialmente para o local, com curadoria de Marcello Dantas. Gratuita e realizada ao ar livre, a mostra propõe um percurso sensorial em que fotografia, natureza e visitante se fundem em uma única paisagem.
| Através do espelho - Cortesia: Betina Samaia |
Ocupando dos espaços verdes mais emblemáticos da cidade, Outro Lado propõe uma pausa em meio ao ritmo urbano. Entre árvores centenárias, espelhos e fotografias, a exposição convida o visitante a desacelerar e a descobrir que toda paisagem esconde outras, ainda por revelar.
Grandes espelhos suspensos entre as árvores recebem fotografias da artista e incorporam o reflexo da floresta, da luz e das pessoas que percorrem o parque. A cada deslocamento, as imagens se transformam. Não existe um único ponto de vista nem uma obra definitiva. A instalação acontece justamente no encontro entre a paisagem real, as fotografias e quem as observa. Mais do que apresentar imagens, Outro Lado transforma a própria floresta em espaço expositivo e parte integrante da obra.
Ao transformar a floresta em parte da obra, e o visitante em parte da imagem, Outro Lado reinventa a experiência da fotografia: não apenas como representação da paisagem, mas como um espaço de encontro entre natureza, imaginação e percepção.
A série nasceu de forma intuitiva durante a pandemia, quando Betina passou uma temporada em Paraty (RJ). Em uma caminhada por uma trilha cercada de Mata Atlântica, levou um espelho até a margem de um rio tomado por lírios-do-brejo. Ao experimentar diferentes reflexos entre água, vegetação e luz, descobriu uma linguagem visual que daria origem a uma das pesquisas centrais de sua produção. "O desenvolvimento das minhas séries nunca é muito planejado. Não sigo mapas. Meu processo criativo é bastante intuitivo e, muitas vezes, a compreensão vem depois", afirma.
A concepção da exposição ganhou nova dimensão durante o diálogo com Marcello Dantas. Diante do desejo da artista de romper com o espaço expositivo tradicional, surgiu a proposta de levar as obras para dentro de uma floresta viva, permitindo que elas fossem continuamente transformadas pela luz, pelo vento, pelas mudanças da natureza e pela presença do público.
Segundo o curador, “Toda paisagem contém outra, adormecida. Entre o que existe e o que é apresentado, abre-se uma terceira possibilidade — uma imagem nova, que só se completa no olhar de quem a encontra.”
Essa “terceira imagem” nasce da sobreposição entre a paisagem real, a fotografia e o reflexo do visitante. Cada pessoa torna-se parte da obra e produz uma composição única, fazendo com que a exposição permaneça em permanente transformação.
Inaugurado em 1892, o Parque Trianon abriga um dos últimos remanescentes de Mata Atlântica preservados na região central de São Paulo. Em Outro Lado, essa floresta deixa de servir como cenário para tornar-se protagonista: a vegetação, a umidade, os sons, a luz e as sutis transformações da paisagem passam a compor, eles mesmos, as imagens.
Sobre a Artista
Formada em Psicologia pela PUC-SP, Betina Samaia utiliza a fotografia como linguagem para investigar as fronteiras entre natureza, imaginação e inconsciente. Ao longo de duas décadas de trajetória, desenvolveu uma pesquisa artística na qual a paisagem deixa de ser cenário para tornar-se parte ativa da experiência, convidando o público a habitar o espaço onde realidade e imaginação se encontram.
Com uma sólida trajetória construída ao longo desse período, a artista desenvolve uma pesquisa artística que investiga as relações entre natureza, imaginação e inconsciente. Seu trabalho já foi apresentado em importantes instituições, festivais e feiras de arte no Brasil e no exterior, entre eles o Museu da Imagem e do Som (MIS), o Museu Histórico Nacional (RJ), o Festival Paraty em Foco, SP-Arte, SP-Arte Foto, ArtRio, o Carrousel du Louvre, em Paris, e feiras internacionais de arte em Hong Kong. Em 2026, sua série Amazônia – O Fim do Verde foi selecionada para integrar a World Water Day Photo Contest Travelling Exhibition, inaugurada em Milão e com itinerância prevista por diferentes cidades da Europa.
É autora dos livros Azul (Editora Madalena, 2015), Noite Afora, Noite Adentro (Editora Madalena, 2017), Amazônia – O Fim do Verde (Edition Bessard, França, 2021) e participou da publicação Multiverso – Quarentena Books 2 (IpsisPub, 2021).
Nos últimos anos, recebeu alguns dos principais prêmios internacionais de fotografia, entre eles o International Photography Awards (IPA), o Prix de la Photographie de Paris (PX3), o Tokyo International Foto Awards, o Chromatic Photography Awards, o ND Awards, o 1839 Awards, o ReFocus Awards e o World Water Day Photo Contest, consolidando uma trajetória reconhecida pela consistência de sua pesquisa visual e pela maneira singular como amplia as possibilidades narrativas da fotografia contemporânea.
Serviço:
Título da exposição: "Outro Lado"
Artista: Betina Samaia
Curadoria: Marcello Dantas
Abertura: 26 de setembro às 10h
Período: 26 de setembro a 20 de dezembro de 2026
Local: Parque Tenente Siqueira Campos (Parque Trianon)
Endereço: R. Peixoto Gomide, 949 - Jardim Paulista, com entrada também pela Avenida Paulista, altura do 1700
Acesso: Gratuito, diariamente das 6h às 18h
• Fotografias da exposição em alta resolução
• Retratos da artista
• Texto curatorial de Marcello Dantas
• Biografia da artista
Press release by a4&holofote comunicação
Esse conteúdo faz parte do projeto Mona Cultural e conta com o apoio de Dicas do Dia e CareUp
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