Mostra Picadilha revisita trajetória do artista urbano Consp, na Chácara Lane

Os 25 anos de carreira do artista visual e muralista Thiago de Souza de Oliveira, o Consp, são o fio condutor de Picadilha, mostra que será inaugurada em 28 de fevereiro na Chácara Lane/Museu da Cidade de São Paulo (MCSP). 

O garbo - ep 3 (2025). Foto: Chu Juke

A exposição ficará em cartaz até 31 de maio e reúne trabalhos que dialogam com a ascensão do grafite e do muralismo em São Paulo, a partir de uma perspectiva preta, periférica e paulistana. 

Selecionada pelo Programa de Ação Cultural (ProAC), a mostra integra o eixo curatorial do Museu da Cidade de São Paulo dedicado à metrópole, à arquitetura e às relações urbanas e, ao mesmo tempo, inaugura a primeira individual de Consp em um espaço museológico. Picadilha é viabilizada pelo Edital Fomento CULTSP - PNAB 25/2024 - produção de exposições inéditas de artes visuais.

A expografia de Picadilha explora o contraste entre a origem urbana das obras e o espaço institucional da Chácara Lane, reforçando a experiência imersiva e  a reflexão sobre a transformação das linguagens urbanas. 

O visitante poderá conferir a conexão entre rua e museu, mostrando o grafite como base estruturante do trabalho de Consp, atravessando suportes e contextos distintos, mas com foco na pintura. A série Picadilha, que dá nome à mostra, constitui seu eixo central e apresenta retratos que exploram gestos, posturas e modos de vestir de homens negros em diferentes fases da vida.

"Picadilha" é uma gíria com forte presença na cultura hip-hop e periférica (especialmente em São Paulo), usada para descrever o estilo, a postura, a elegância ou a "marra" de alguém ou de um grupo. Consp traz essa ideia para seus retratos: “Meu trabalho nasce da rua e das pessoas que vejo todos os dias. Retratar homens negros é uma forma de afirmar identidade e pertencimento no espaço público e de dar visibilidade a trajetórias que muitas vezes passam despercebidas”, comenta o artista.

Estão previstas 15 obras inéditas que compõem a exposição, incluindo telas de grande formato, desenhos, fotografias, além de documentos  e registros de intervenções urbanas, um verdadeiro arquivo visual da trajetória do artista. Uma linha do tempo contextualiza a produção de Consp no desenvolvimento do graffiti paulistano. 

Entre os destaques está uma obra  criada especialmente para a Chácara Lane e integrada à arquitetura do espaço. “É um trabalho que retoma a tradição do muralismo percebida na trajetória do Consp e que leva a rua ao museu. “Uma verdadeira demonstração de integração entre arte, ambiente e público”, explica o artista. A produção do Consp reflete o deslocamento do grafite da rua para espaços institucionais, evidenciando as tensões e negociações da arte urbana.

“A mostra não é a simples transposição do graffiti para o cubo branco, mas uma reflexão sobre circulação, permanência e transformação das linguagens urbanas”, aponta Consp.

A programação pública inclui conversas com o artista e o curador, visitas mediadas e conteúdos digitais com registros do processo criativo, fortalecendo a relação entre obra, público e cidade.


Trajetória

Natural de Perus, Zona Norte de São Paulo, Consp integra a terceira geração do grafite paulistano, formada majoritariamente por artistas das periferias. Ele iniciou sua trajetória influenciado pelos movimentos culturais em ascensão na cidade nos anos 1990 e 2000, como o hip hop e o funk. 

A partir da apropriação do grafite nos anos 2000 e ao longo de 25 anos de trajetória, Consp se consolidou como um nome de destaque na história do grafite e um dos pioneiros do muralismo em São Paulo, atuando também como pesquisador e criador de representações de pessoas pretas que rompem com estereótipos perpetuados pelo racismo estrutural. 

Formado em design gráfico, o artista participou de mostras coletivas em instituições como o Museu Afro Brasil e a Funarte. 

Sua trajetória, paralela ao crescimento do grafite e do muralismo no Brasil, contribui para o fortalecimento das artes visuais e urbanas, ampliando seus significados.


Museu da Cidade de São Paulo

O Museu da Cidade de São Paulo, ligado ao Departamento dos Museus Municipais da Secretaria Municipal de Cultura, tem como missão refletir sobre as dinâmicas físicas e simbólicas da capital paulista, tratando a própria cidade como acervo operacional. Em uma metrópole marcada pela expansão urbana, pela multiplicidade de centralidades e pela diversidade cultural, o museu busca compreender e registrar a memória coletiva e as expressões urbanas que moldam São Paulo.

Originado do Departamento Municipal de Cultura criado por Mário de Andrade em 1935, o museu consolidou-se em 2018 como parte do Departamento dos Museus Municipais. Sua rede física abrange doze edificações históricas e um logradouro: Solar da Marquesa de Santos, Casa da Imagem, Chácara Lane, Casa Modernista, Casa do Butantã (Bandeirante), Casa do Caxingui (Sertanista), Sítio da Ressaca, Casa do Grito, Casa do Tatuapé, Sítio Morrinhos, Cripta Imperial, Capela do Morumbi e Beco do Pinto.

Com acervo composto por seis tipologias — arquitetônico, fotográfico, bens móveis, história oral, documental e bibliográfico — o Museu da Cidade promove pesquisas, exposições e debates sobre o passado, o presente e os futuros possíveis, reafirmando sua missão de gerar e socializar conhecimento sobre São Paulo para o desenvolvimento social.

Atuando na categoria dos museus da cidade, o Beco do Pinto e a Capela do Morumbi abrigam instalações site specific. Desde 2024, a seleção das propostas artísticas é regulamentada pelo Edital de Artes Visuais do Museu da Cidade de São Paulo.


SERVIÇO

Exposição: Picadilha – Thiago Consp

Local: Chácara Lane – Museu da Cidade de São Paulo (MCSP)

Endereço: Rua da Consolação, 1024 – Consolação – São Paulo.

Período: 28/02/2026 a 31/05/2026

Horário: terça a domingo, das 9h às 17h

Entrada gratuita


Press release by Agência Galo


Esse conteúdo faz parte do projeto Mona Cultural e conta com o apoio de Dicas do Dia e CareUp

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