O espetáculo, indicado ao Prêmio APCA por Melhor Direção, revisita o episódio da explosão do reator nuclear de Chernobyl em 1986 a partir do ponto de vista de uma boneca, Antonia, testemunha do sofrimento de sua “família” - a menina Hanna, seu irmão Michael, a mãe Elena e o pai Igor -, diante dos efeitos devastadores da radiação que se espalhou pela Europa.
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| Chernobyl - Créditos: Joao Caldas |
Há 40 anos, no dia 26 de abril de 1986, a cidade de Pripyat, na Ucrânia, acordou com uma explosão terrível. O maior acidente nuclear do mundo acontecia em pleno coração da União Soviética. Milhares de pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas e nunca mais puderam voltar, deixando para trás seus bens e suas histórias. A série de explosões que destruiu o reator da Central Atômica Elétrica de Chernobyl produziu uma nuvem de radiação que ignorou a então Cortina de Ferro, espalhando-se por três quartos da Europa. O mundo estava partido em dois pela Guerra Fria, mas o planeta, e a humanidade, eram um só.
Hoje, em 2026, também vivemos um tempo de conflitos ideológicos, guerras, Invasões, chantagem em escala planetária e até a ameaça de bombardeios nucleares. E o planeta e a humanidade continuam sendo um só. Olhar para trás e falar de Chernobyl é uma forma de se pensar futuros possíveis.
"Qual o papel do artista em um momento de guerra? Elaborar as escolhas humanas, pensar a história, resgatar momentos que significaram mudanças radicais em nossa sociedade. Chernobyl é um desses momentos. Uma catástrofe nuclear, fruto de ganância, que faz um mundo dividido entender que a Terra é uma só. Trazer Chernobyl de volta, nesses 40 anos e especialmente, num mundo em guerra é pensar a história. É agir com as armas que temos.", reflete Nicole Cordery, atriz.
O texto foi escrito em 2017 pela dramaturga francesa Florence Valéro, nascida no mesmo ano do acidente nuclear. “Profundamente agitada, saturada com informações sobre a catástrofe e suas precipitações, eu já não tinha gosto nenhum pelo naturalismo gélido e desejava recorrer à fábula para falar das raízes perdidas. Porque as vítimas de Chernobyl são exilados, gente forçada a deixar suas casas, sem jamais revê-las. Imaginei de partida os porta-vozes do conto, pesquisadores da zona de exclusão, convivendo com os vestígios radioativos. O que eles têm para nos dizer? Eles vão nos contar a história de que personagens? (...) Em todas as imagens que eu via, em tudo que eu pesquisava, vinha ao meu pensamento a imagem de uma boneca, a boneca abandonada, a boneca impotente. Eu quis dar voz a essa boneca”.
SINOPSE
A peça conta a história da boneca Antonia, que testemunha o sofrimento de sua “família” - a menina Hanna, seu irmão Michael, a mãe Elena e o pai Igor -, diante dos efeitos devastadores de um dos maiores desastres nucleares da história.
A MONTAGEM
As quatro atrizes em cena se revezam entre nove personagens, sem trocas de roupa ou mudanças na caracterização. Todas usam um mesmo figurino, neutro e cinza, criado por Chris Aizner, que também assina o cenário, formado por cadeiras e grandes caixas brancas que, dispostas em diferentes configurações, fazem as vezes de variados móveis. Um jogo de sombras, em interação com outros objetos cênicos, desenha diversos ambientes de dentro e fora da casa da família.
“A encenação aproxima o macro e o micro: enquanto o desastre de Chernobyl ecoa como um evento histórico de proporções imensas, sua consequência mais profunda se manifesta na intimidade de uma família que vê seu destino lentamente se desfazer”., explica Bruno Perillo, diretor.
HISTÓRICO DA PEÇA
Chernobyl estreou em 2019 no SESC Consolação, seguindo em temporadas na Oficina Cultural Oswald de Andrade, no Teatro Aliança Francesa e em diversas cidades do Estado de São Paulo, sempre com sucesso de público e crítica. Foi indicado ao Prêmio APCA por Melhor Direção para Bruno Perillo e a cinco categorias do Prêmio Aplauso Brasil - Melhor IIluminação, para Grissel Pinguillem; Melhor Figurino, para Chris Aizner; Melhor Direção, para Bruno Perillo; Melhor Espetáculo Independente, sob produção de Anayan Moretto; Melhor Elenco, para Carolina Haddad, Joana Dória, Manuela Afonso e Nicole Cordery.
FICHA TÉCNICA
Dramaturgia: Florence Valéro [com excertos do livro “Vozes de Tchernóbil”, de Svetlana Aleksiévitch inseridos por elenco e direção]
Tradução: Carolina Haddad
Direção: Bruno Perillo
Elenco: Carolina Haddad, Joana Dória, Manuela Afonso e Nicole Cordery
Trilha Sonora: Pedro Semeghini
Cenário e Figurinos: Chris Aizner
Iluminação e Vídeo: Grissel Pinguillem
Direção de Movimento: Marina Caron
Visagismo: Cristina Cavalcanti
Consultoria de Química: Maurício Rodrigues
Fotos do Espetáculo: Felipe Cohen, Giorgio D Onofrio, Guy Pichard, João Caldas, Kim Leekyung
Fotos de pesquisa registradas na cidade de Pripyat: Duca Mendes e Carol Thomé
Coordenação de Produção: Bruno Perillo, Carolina Haddad, Joana Dória, Manuela Afonso e Nicole Cordery
Produção Executiva, Assistente de Direção, Redes Sociais: Madu Arakaki
Administração: 12 por 8 Produções Artísticas
Assessoria Contábil: Service Keep
Patrocínio: Escala 7
Realização: CM Haddad Produções
Assessoria de imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany
FLORENCE VALÉRO – dramaturga
Atriz, poeta e autora francesa, Florence foi formada por Julien Gaillard, atual dramaturgo do Théâtre de la Colline, com quem colaborou por muitos anos, o que lhe permitiu o encontro com Pascal Kirsch, que a dirigiu em “La princesse Maleine”, espetáculo programado no Festival de Avignon 2017.
Enquanto escritora, Florence foi publicada pelas editoras l’Herbe qui tremble e L’Arbre à Paroles. Seu primeiro livro de poemas, “L’instant des fantômes”, concorreu ao Prix des Auteurs de Littérature Française. Ela é também autora de diversos roteiros de cinema selecionados para as finais da Comissão de ajuda à escrita do Centre National du Cinéma et de l’Image Animée.
BRUNO PERILLO - diretor
Ator e Diretor Teatral, iniciou sua carreira em 1994. Fez parte de 2 importantes grupos do cenário teatral brasileiro: Grupo Tapa (de 1994 a 2001) e Folias D’Arte (de 2001 a 2012).
Workshop com o diretor inglês Declan Donellan em 2008. Master Class com o dramaturgo inglês Sir David Hare em 2009. Concluiu a Pós-Graduação Lato sensu em Direção Teatral na Escola Superior de Artes Celia Helena, em 2013.
Como encenador, dirigiu “O Julgamento de Sócrates” (de Regis de Oliveira), “Copo Vazio” (de Angela Ribeiro), “Chernobyl” (de Florence Valéro), “O Beijo no Asfalto” (de Nelson Rodrigues), “A Vida em Vermelho” (de Aimar Labaki), “Tango” (de Priscila Gontijo), “Ato a Quatro” (de Janie Bodie), “O Campo” (de Martin Crimp), “Velhos Tempos” (de Harold Pinter), “Ânsia” (de Sarah Kane), “Cabaret Luxúria” (de Rachel Ripani), “Swallow” (de Stef Smith), “Nada Mais Foi Dito” (de Luis Francisco Carvalho), “Lorelay” (de Marie Darrieaussecq). Em 2023, apresentou “O Beijo no Asfalto” no Festival Internacional de Cali, na Colômbia.
Em 2009, foi indicado ao prêmio Shell pela direção musical de “Querô” (de Plínio Marcos). Em 2019, indicado ao prêmio APCA e prêmio Aplauso Brasil pela direção de “Chernobyl”, peça indicada a melhor espetáculo pelo Aplauso Brasil.
Como ator, participou de mais de 30 peças de teatro, além de novelas e filmes. Atuou em “Des.conect.se” (de Mariana Chiuso), “O Deus de Spinoza” (de Régis de Oliveira), “Mulheres Sonharam Cavalos” (de Daniel Veronese), “O Último Concerto Para Vivaldi” (de Dan Rosseto), “As Duas Mortes de Roger Casement” (de Domingos Nunez), “Credores” (de August Strindberg, “Dançando em Lúnassa” (de Brian Friel), “Fortaleza” (de Flavio Goldman), “Ópera do Malandro” (de Chico Buarque), “Absinto” (de Luciana Carnieli), “Procurando Luiz e Encasulados” (de Paulo R. Lopes), com os diretores Luiz Amorim, Nelson Baskerville, Domingos Nunez, Heitor Goldflus, Kleber Montanheiro, Cassio Scapin, Malú Bazán, Dan Rosseto, Gustavo Kurlat e Felipe Abramovictz.
No audiovisual, atuou em diversos curtas, e longas-metragens como “Salve Geral” (de Sergio Rezende), “Onde Andará Dulce Veiga” (de Guilherme de Almeida Prado), “O Último Chá” (de David Kullock), “Amparo” e “Mario Wallace Simonsen” (de Ricardo P. Silva), “A Felicidade de Margô” (de Mauricio Eça). Na TV, atuou em “Viver a Vida” (de Manoel Carlos), “Belíssima” (de Silvio de Abreu), “Passione” (de Silvio de Abreu), “Carrossel” (SBT), e séries como “O Negócio”, “Surtadas na Yoga”, “Buu”, dentre outras.
Serviço:
ESTREIA: 1º de abril (4ªf), às 20h
ONDE: Teatro Estúdio - R. Conselheiro Nébias, 891 - Campos Elíseos / SP
HORÁRIOS: quartas e quintas, às 20h / INGRESSOS: R$ 80,00 e R$ 40,00 (meia) em https://bileto.sympla.com.br/event/116698?share_id=1-copiarlink ou na bilheteria a partir de 3h antes do espetáculo / CAPACIDADE: 113 lugares / DURAÇÃO: 90 min / GÊNERO: ficção / CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: 14 anos / ACESSIBILIDADE: sim / TEMPORADA: até 7 de maio
Press release by JSPontes Comunicação
Esse conteúdo faz parte do projeto Mona Cultural e conta com o apoio de Dicas do Dia e CareUp

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