O show de Bad Bunny em São Paulo no dia 21 de fevereiro de 2026, no Allianz Parque, foi mais do que uma apresentação musical: foi um marco cultural. Integrando a aguardada “DeBÍ TiRAR MáS FOToS World Tour”, a segunda noite na capital paulista consolidou o artista porto-riquenho como uma das maiores forças da música global contemporânea e provou que o Brasil estava mais do que pronto para recebê-lo.
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| Bad Bunny - Créditos: Caroline Soares |
A passagem pelo país aconteceu em um momento estratégico da carreira de Benito Antonio Martínez Ocasio. Após o sucesso estrondoso de sua participação no Super Bowl 2026 e a consagração no Latin Grammy Awards de 2025, onde recebeu 12 indicações e venceu categorias como Álbum do Ano e Melhor Álbum de Música Urbana por “DeBÍ TiRAR MáS FOToS”, Bad Bunny também triunfou no Grammy Awards de 2026, levando Álbum do Ano, Melhor Álbum de Música Urbana e Melhor Performance Musical Global por “EoO”. O impacto é histórico: um artista latino, cantando majoritariamente em espanhol, ocupando o centro do mainstream global.
Se o primeiro show, em 20/02, marcou a estreia do cantor no Brasil com ingressos esgotados, a apresentação do dia 21 teve um peso simbólico ainda maior. A data extra foi anunciada após demanda sem precedentes, e o estádio voltou a lotar. Desde a abertura dos portões, a atmosfera era de evento histórico. Brasileiros e fãs de diversas nacionalidades exibiam bandeiras, vestiam peças oficiais da turnê e se preparavam para uma experiência que ultrapassaria o entretenimento convencional.
Uma experiência imersiva em três atos
O show de Bad Bunny no Allianz Parque foi estruturado em três atos, alternando entre o palco principal e a icônica “casita”, cenografia inspirada nas casas tradicionais de Porto Rico. A escolha não é apenas estética: é conceitual. O álbum “DeBÍ TiRAR MáS FOToS” celebra raízes, memória e identidade, e a “casita” funciona como símbolo afetivo dessa narrativa.
No palco principal, um telão de altíssima definição dominava a estrutura, acompanhado de câmeras deslizantes posicionadas em nível inferior, garantindo imagens cinematográficas sem prejudicar a visão do público. A qualidade da captação impressionava, a sensação era de assistir a um videoclipe ao vivo, em tempo real, sem atrasos perceptíveis. A tecnologia não servia apenas como suporte, mas como extensão artística da performance.
A montagem do espetáculo privilegiou a experiência coletiva. Tanto quem estava nas arquibancadas quanto quem ocupava a pista teve excelente visibilidade. Esse cuidado estrutural reforça o padrão internacional da turnê e demonstra respeito pelo público que investiu para estar ali.
Catarse coletiva e afirmação cultural
Musicalmente, o show foi uma verdadeira ode à latinidade. Bad Bunny conduziu o público por uma viagem que transitou entre salsa, reggaeton, rap e outras sonoridades caribenhas. Em um país identificado mundialmente pelo samba, a força desses ritmos mostrou que as fronteiras culturais estão cada vez mais diluídas — e que há espaço para múltiplas identidades latinas dialogarem.
Quando se olhava ao redor, não havia uma única pessoa parada. O Allianz Parque pulsava em uníssono. A energia do público brasileiro foi, inclusive, um dos pontos altos da noite. Após a surpresa do dia 20, quando fãs formaram as cores da bandeira do Brasil nas arquibancadas, o público do dia 21 retribuiu com um mosaico nas cores da bandeira de Porto Rico. A reação de Benito foi de incredulidade e emoção genuína. Acostumado a estádios lotados ao redor do mundo, o artista parecia surpreso com o nível de entrega brasileiro. Foi um espetáculo de mão dupla, em que palco e plateia se retroalimentaram.
Banda afiada e protagonismo compartilhado
Outro destaque da apresentação foi a qualidade dos músicos que acompanharam Bad Bunny no Brasil. Em diversos momentos, os instrumentistas assumiram protagonismo, ampliando arranjos e criando atmosferas que diferiam das versões de estúdio. Essa escolha confere profundidade artística ao espetáculo, afastando-o da simples reprodução de hits e aproximando-o de uma experiência musical orgânica.
A abertura ficou por conta da banda porto-riquenha Chuwi, formada por Lorén Aldarondo (vocal), Wester Aldarondo (guitarra/produção), Willy Aldarondo (percussão/produção) e Adrián López (teclados/percussão). O grupo entregou uma performance energética, marcada por consciência política e qualidade vocal, preparando o terreno com autenticidade para a atração principal. A escolha reforça o compromisso da turnê em valorizar talentos da ilha e fortalecer a identidade cultural porto-riquenha.
Um marco para a música latina no Brasil
A “DeBÍ TiRAR MáS FOToS World Tour” já vinha sendo celebrada internacionalmente por seus números expressivos e pela força simbólica de seu repertório. Em São Paulo, no entanto, o espetáculo ganhou contornos ainda mais significativos. A data extra, aberta após a primeira noite esgotar rapidamente, comprova o alcance de Bad Bunny no mercado brasileiro, algo que, até poucos anos atrás, parecia improvável para um artista urbano latino cantando em espanhol.
O show de Bad Bunny em 21/02/2026 no Allianz Parque não foi apenas mais uma parada de turnê. Foi um encontro cultural, uma celebração identitária e a consolidação definitiva da música latina como protagonista global. Ao final de quase três horas de espetáculo, a sensação era clara: São Paulo não apenas recebeu um astro internacional, participou ativamente de um momento histórico da música pop.
E, diante da entrega vista no Allianz Parque, fica evidente que a relação entre Bad Bunny e o público brasileiro está apenas começando.
Por Rafael Toledo dos Santos

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