Depois de mais de 25 anos de trajetória internacional marcada por uma linguagem singular de teatro visual e gestual, a Cia. Dos à Deux apresenta, a partir de 03 de junho no Teatro I do CCBB RJ “ConfuZo”, seu novo espetáculo. Com patrocínio do Banco do Brasil, após a temporada no CCBB Rio, o espetáculo será realizado pelos Centros Culturais Banco do Brasil em São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Salvador.
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| ConfuZo - Créditos: Renato Mangolin |
Este espetáculo traz um novo desdobramento na pesquisa artística da cia: pela primeira vez, a palavra entra em cena. Ela desponta atravessada pela imagem, pelo gesto e pela respiração da cena. O texto — inédito e escrito pelos próprios artistas — nasce do gesto e retorna a ele, não como explicação, mas como matéria poética, fricção e pensamento encarnado. A encenação articula teatro gestual, palavra, luz, som e artes visuais, criando uma experiência sensorial e simbólica em que o escurecimento não representa o fim, mas o início de outra forma de ver, de dizer e de existir.
SINOPSE
O Homem-Árvore (Andre Curti) deseja enraizar-se, mas é recusado pelo mundo à sua volta. Ele simboliza a impossibilidade de pertencer. O Homem-Luz (Artur Luanda Ribeiro) pedala uma grande engrenagem em forma de bicicleta, que é geradora de energia elétrica. Dele depende a luz de cena. Ele não pode parar. Ao mesmo tempo em que ilumina, o Homem-Luz também se consome, e às vezes vai “escurecendo” por dentro sem que ninguém perceba. Entre o Homem-Árvore e o Homem-Luz, o palco se transforma num território poético entre o enraizamento e o movimento.
O DESTERRO
“ConfuZo” é uma fábula contemporânea sobre o corpo que resiste e sobre o desejo de pertencimento em um tempo de colapso social, ambiental e emocional.
“Temem não a árvore que sou, mas a floresta que posso convocar!” André Curti, que dá vida ao Homem-Árvore, afirma, com este trecho do texto, que “esse é o grande ponto dessa história. O medo da sociedade não é da raiz, mas do futuro que ela antecipa.”
A imagem do Homem-Árvore torna-se o símbolo central do espetáculo.
Essa árvore, deslocada do solo, é metáfora da impossibilidade de pertencer.
Ela representa o humano contemporâneo — suspenso entre o desejo de enraizar-se e a impossibilidade de permanecer.
É um corpo em exílio, que tenta sustentar o peso da memória sem perder o equilíbrio diante de um mundo em constante movimento.
A árvore cresce onde não deve, e se torna o retrato da condição humana — bela, frágil, deslocada.
“Metaforicamente, para mim, carregar a árvore é carregar aquilo que insiste em crescer dentro da gente: memória, tempo, desejo, raízes, perdas. Em muitos momentos sinto o peso físico dela como o peso das próprias escolhas e das histórias que atravessamos sem perceber. É quase como transportar um mundo inteiro nas costas. No espetáculo, essa árvore leva o personagem à exclusão da sociedade, apontado como ‘o diferente’, o ‘não pertencente’ e, portanto, proibido de se enraizar, mesmo sendo dessa terra como todos os outros. (...) Existe um ponto em que a separação desaparece. Aos poucos eu deixo de carregar a árvore e começo a me sentir árvore também. O corpo deixa de ser apenas humano e passa a virar paisagem, matéria, presença vegetal. Talvez o espetáculo exista justamente nessa oscilação: entre quem conduz o peso e quem é transformado por ele.” (André Curti)
A MONTAGEM
“Como ator, diretor e idealizador de ‘Confuzo’ sinto que essa dramaturgia fala diretamente de mim. Existe algo profundamente pessoal no fato de a luz depender do meu próprio movimento, porque muitas vezes tenho a sensação de que também sigo pedalando na vida para que certas luzes não se apaguem — dentro de mim, no trabalho, nos afetos, na criação. O corpo acaba revelando aquilo que as palavras nem sempre conseguem dizer: o desgaste, a insistência, a fragilidade e, ao mesmo tempo, a vontade de continuar. O Homem-Luz me atravessa justamente por isso. Ele transforma em imagem uma sensação que conheço intimamente: a de que parar às vezes parece impossível. E talvez a própria dramaturgia tenha nascido daí — desse lugar onde esforço, resistência e escuridão interior convivem o tempo todo”. (Artur Luanda Ribeiro)
A tecnologia torna-se dramaturgia.
O corpo funciona como usina, o cansaço transforma-se em matéria cênica. A luz nunca é plena ou estável — é intermitente, precária, vulnerável. Uma luz que pode falhar a qualquer instante, como falha o fôlego, como falha a esperança.
Ao tornar visível o custo físico da iluminação, o espetáculo explicita aquilo que normalmente permanece oculto: o esforço humano necessário para manter o mundo - e a si próprio - aceso. A música, de Federico Puppi, também é trançada organicamente ao movimento, à palavra e à luz.
CIA. DOS À DEUX – 27 ANOS DE CRIAÇÃO E POESIA VISUAL
Reconhecida internacionalmente, a Cia. Dos à Deux já se apresentou em mais de 50 países e mantém hoje sua sede no Rio de Janeiro, onde desenvolve também ações formativas e residências artísticas.
Fundada em Paris, em 1998, por André Curti e Artur Luanda Ribeiro, a Cia. nasceu de uma pesquisa inspirada na obra “Esperando Godot”, de Samuel Beckett. Descobertos no Festival de Avignon, os artistas conquistaram reconhecimento internacional apresentando suas criações mundo afora.
Em 2015, após duas décadas na França, retornaram ao Brasil e criaram o Espaço Dos à Deux, na Glória, RJ — um casarão de 1846, restaurado pelos artistas e transformado em centro de criação, residência e formação artística.
Em 2026, a trajetória da companhia será celebrada com o lançamento de um documentário dirigido por Roberto Bomtempo, produzido pelo Canal Curta! e Matizar Filmes, revisitando o processo criativo e a estética interdisciplinar que consolidaram o grupo como uma das principais referências do teatro visual contemporâneo.
FICHA TÉCNICA
Patrocínio: Banco do Brasil
Realização: Centro Cultural Banco do Brasil
Texto, dramaturgia, cenografia, Direção e Performance: André Curti e Artur Luanda Ribeiro
Música Original: Federico Puppi
Desenho de luz / iluminação: Artur Luanda Ribeiro
Figurino: Karen Brusttolin
Cenotecnia / engenharia poética, hiper criativa e carinhosa: Dodô Giovanetti
Pesquisa - Projeto de Engenharia Elétrica / Poética (Bicicleta): Dodô Giovanetti, André Batistela, Robson de Souza Nascimento e Artur Luanda ribeiro
Realização do projeto da engenharia elétrica / poética: André Batistela
Assistente de Figurino: Maïa Flores
Alfaiate: Leonardo Ramos
Aderecista: Gabriel Barros | LAPE
Direção de Palco de Contrarregragem: Dodô Giovanetti
Operação de Som: Tiago Rodrigues
Mídias Sociais: Pedro Gaudêncio
Fotografia: Renato Mangolin
Assessoria de Imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany
Assistente de Produção: Pedro Gaudêncio
Produtor Executivo: Fernando Queiroz
Direção de produção: Silvio Batistela
Financeiro: Alex Nunes
IIdealização e Coordenação Geral: Cia Dos à Deux
SERVIÇO
“ConfuZo”
TEMPORADA: de 03 de junho a 26 de julho de 2026
ONDE: Teatro I do Centro Cultural Banco do Brasil RJ
Rua Primeiro de Março, 66 - Centro, Rio de Janeiro / RJ
HORÁRIOS: 4ª a sab às 19h e dom às 18h [em função da Copa do Mundo, 13/06 (sab) às 16h; 19/06 (6ªf) às 18h; 24/06 (4ªf) às 16h] / INGRESSOS: R$30 e R$15 (meia), na bilheteria do CCBB ou no site bb.com.br/cultura / HORÁRIO BILHETERIA: de quarta a segunda, das 9h às 20h / CAPACIDADE: 159 lugares / DURAÇÃO: 65 min / GÊNERO: teatro visual / CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: 14 anos
Centro Cultural Banco Do Brasil
Rua Primeiro de Março, 66, Centro, Rio de Janeiro/RJ
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Funcionamento: de quarta a segunda, das 9h às 20h (fecha às terças)
ATENÇÃO: domingos, das 8h às 9h - horário de atendimento exclusivo para visitação de pessoas com deficiências intelectuais e/ou mentais e seus acompanhantes, conforme determinação legal (Lei Municipal nº 6.278/2017).
JSPontes Comunicação
Esse conteúdo faz parte do projeto Mona Cultural e conta com o apoio de Dicas do Dia e CareUp

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